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sexta-feira, 6 de junho de 2008

Dia Mundial do Meio Ambiente

  • O frágil planeta azul



Estamos no início do século 21 e, desde 4 bilhões de anos atrás – quando surgiram as primeiras formas de vida – nosso planeta sofre modificações que têm influência decisiva na sobrevivência de todas os organismos.
Essas modificações ambientais já promoveram o desaparecimento de muitas espécies que, pressionadas pelas adversidades, acabaram desaparecendo e, assim, dando lugar à outras mais “aptas”.
Mas agora, por mais incrível que pareça, uma única espécie se acha no direito de governar sobre todas as outras, parecendo esquecer que são muito mais dependentes das espécies - por eles julgadas inferiores - do que estas em relação a eles. Em sua ganância desenfreada e sede de exploração, esses seres têm se orgulhado de sua capacidade de criação e parecem desconhecer que esta mesma capacidade (que ironicamente também é utilizada como argumento de sua superioridade) está os levando para a primeira extinção artificial já vista na Terra.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Turismo cruel

  • A ameaça da caça esportiva
Os leopardos-das-montanhas são animais ariscos, preferindo viver isolados de outros da mesma espécie. Porém, esse isolamento existencial não irá conseguir mantê-los distante dos caçadores. A proibição de caça aos leopardos, imposta desde 1980, foi cancelada pelo governo da Uganda. A retomada da caça esportiva deve-se ao fim dos conflitos internos no país e a conseqüente expansão do turismo.
Apesar de o governo uganense afirmar que serão abatidos apenas os animais mais velhos, conseqüentemente, fora da idade reprodutiva e incentivar a caça aos leopardos com a utilização de dardos tranquilizantes, a atividade desportiva do país torna-se uma ameaça à sobrevivência da espécie.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Frágil ecossistema gaúcho

  • Reserva Ecológica do Taim
A reserva ecológica do Taim possui uma área de 32.038 ha, distante, aproximadamente, 370 quilômetros de Porto Alegre. Está localizada na região sul do Rio Grande do Sul, em um istmo na península do Albardão, isolada, de um lado pelas lagoas Mangueira e Mirim e, de outro, pelo Banhado do Taim, tendo o Oceano Atlântico ao Leste, em território pertencente aos municípios de Rio Grande e Santa Vitória do Palmar.
A Reserva é composta por bosques entre figueiras e corticeiras, em um ecossistema predominantemente pantanoso, ao lado de dunas e praias.
Um dos principais motivos que levaram à criação da Estação Ecológica do Taim, em 21 de julho de 1986, foi o fato de esta área ser um dos locais por onde passam várias espécies de animais migratórios vindos da Patagônia.
O Taim reserva um dos ecossistemas mais frágeis do Estado. Na área há cerca de 230 espécies de pássaros, 70 de mamíferos e 60 de peixes. No local pode-se encontrar capivaras (Hydrochoereus hydrochoereus), tuco-tucos (Atenomys flamarioni), jacarés-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) que estão incluídos em listas nacionais e internacionais de animais ameaçados de extinção, tartarugas, gatos-do-mato e ratões-do-banhado (Myocastor coypus) espécie que sofreu uma perseguição intensa devido ao valor da sua pele. O cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus) já foi encontrado no Taim no início do século, porém, foi extinto devido a ações predatórias do homem.
Entre as espécies de aves a mais surpreendente é o cisne-de-pescoço-preto (Cygnus melancoryphus) que convive com colhereiros, flamingos e caracarás e é considerada símbolo da reserva.
Outras espécies de aves também ameaçadas de extinção são o coscoroba (Coscoroba coscoroba), o irerê (Dendrocygna), o marrecão-da-Patagônia (Neta peposaca), os socós (Trigrisonia spp.), o tachã (Chauna torquata), a garça-branca-grande (Casmerodis albus) e muitos outros.
As árvores dominantes na Reserva são a figueira nativa (Ficus organensis) e a corticeira (Erythrina sp.) das quais pendem barbas-de-velho que causam efeito decorativo. Destacam-se também as orquídeas, sendo a Cattleya intermedia a principal espécie.
No banhado, que constitui a maior parte da Estação, domina o junco (Sairpus californicus). Estão presentes, também, plantas aquáticas como o aguapé (Eichornia crasnpes) e a erva-de-santa-luzia (Pistia stratiotes). Entre as gramíneas, foram assinaladas a Paspalum e a Spartina, que ocupam grandes áreas do banhado e oferecem refúgio para diversas espécies de aves e mamíferos.
Por ser o banhado um dos últimos remanescentes desse tipo de ecossistema, a Estação Ecológica do Taim tem valor especial para estudos ecológicos.
A simples utilização da estação como área de descanso, crescimento ou nidificação torna-a ainda mais importante para as espécies migratórias, pois, a destruição de uma área na rota de migração pode colocá-las em risco de extinção.
A Estação conta com uma infra-estrutura para o desenvolvimento de pesquisas onde não é permitida a visitação pública com o objetivo de lazer, porém, são incentivadas atividades de Educação Ambiental.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Meu pampa querido - Parte I

  • O Bioma Pampa – A riqueza do sul do Brasil
O nome pampa é de origem quechua (língua indígena da América do Sul, também falada no império Inca), e significa região plana.
O bioma Pampa é a única grande área natural restrita a um único estado brasileiro, o Rio Grande do Sul. O bioma avança para o Uruguai e a Argentina. É exclusivo do sul da América do Sul. O Pampa ocupa pouco mais de dois por cento do território nacional, de acordo com o Mapa de Biomas do Brasil, do IBGE. Além de campos, o Pampa inclui outros ecossistemas como os banhados: áreas alagadas, protegidas por lei porque são fundamentais para a reprodução da vida e para a regulagem dos ciclos da água e as matas ciliares ou de galeria, que acompanham o curso dos rios e servem de refúgio para a fauna. Os pampas também têm áreas de cavernas e grutas, como a Pedra do Segredo, em Caçapava do Sul, e sítios arqueológicos importantes como o da cidade de Mata, onde há exemplares de árvores petrificadas, de milhares de anos.
O Pampa está localizado entre 34º e 30º latitude sul e 57° e 63° latitude oeste. Atualmente, as terras pampeanas ocupam uma área de aproximadamente 700 mil Km², compartilhada pelo Brasil, Argentina e Uruguai. Dentro do território brasileiro, estas terras se distribuem pela metade sul do Rio Grande do Sul, abrangendo cerca de 176 mil Km² (ou seja, 17,6 milhões de hectares), o que equivale à cerca de 60% da área do estado. Entretanto, somente 39% de sua área total ainda é constituída por remanescentes de campos naturais. Entre os anos de 1970 e 2005, estima-se que 4,7 milhões de hectares de pastagens nativas foram convertidos em outros usos agrícolas, como lavouras e plantações de árvores exóticas.
Esta violenta supressão da vegetação campestre natural do Pampa gaúcho torna-se ambientalmente ainda mais grave diante da imensa riqueza da biodiversidade nela existente. Estimativas recentes indicam que esta região é composta de pelo menos 3.000 plantas vasculares, com 450 espécies de gramíneas e 150 de leguminosas, além de 385 aves e 90 mamíferos, sendo parte destas espécies chamadas endêmicas, pois só ocorrem neste ecossistema.
Os pampas têm vegetação predominantemente herbácea, de 10 a 50 cm de altura. A paisagem é homogênea e plana, assemelhando-se a um imenso tapete verde.
As florestas dos Campos Sulinos abrangem em sua maioria as florestas tropicais mesófilas, florestas subtropicais e os campos meridionais. As florestas subtropicais compreendem basicamente a Floresta com Araucária, distribuindo-se sobre os planaltos oriundos de derrames basálticos, e caracterizando-se principalmente pela presença marcante do pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia). Em direção ao arroio Chuí, na divisa com o Uruguai, estabelece-se um campo com formas arbustivas sobre afloramentos rochosos.
O Pampa é um dos ecossistemas mais ricos em relação à biodiversidade de espécies animais, contando com espécies endêmicas, raras, ameaçadas de extinção, espécies migratórias e de interesse econômico dos campos sulinos.
Um exemplo entre os animais ameaçados de extinção está o gato-dos-pampas (Felis colocolo) que mede aproximadamente 85 cm e possui hábitos noturnos. O habitat deste felino se estende desde o Sul da Patagônia, por quase toda a Argentina, Chile, Peru e Equador.
É por isto que os campos pampeanos, na sua composição de flora e fauna, podem ser considerados tão importantes quanto uma floresta tropical, para a conservação da biodiversidade planetária.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Bioresponsabilidade

  • Mata Atlântica: O bioma ameaçado
Anteriormente, a mata Atlântica cobria um imenso teritório, com aproximadamente 1,3 milhão de Km², percorrendo o litoral brasileiro desde o Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Tratava-se da segunda maior floresta tropical úmida do Brasil, só comparável à Floresta Amazônica.
Atualmente, da segunda maior floresta brasileira restam apenas uma área com aproximadamente cerca de 52.000 Km² (5 % de sua extensão original). Hoje a maioria da área litorânea que era coberta pela mata Atlântica é ocupada por grandes cidades, pastos e agricultura. Porém, ainda restam "manchas" da floresta na Serra do Mar e na Serra da Mantiqueira, no sudeste brasileiro.
Esse tipo de formação florestal recebe várias denominações como: floresta latifoliada tropical úmida de encosta, mata pluvial tropical e mata atlântica (denominação mais geral).
A mata Atlântica compreende a região costeira do Brasil, apresentando ao norte clima equatorial e ao sul clima temperado, com temperaturas elevadas durante o ano todo. Tem como característica um alto índice de pluviosidade, devido à barreira que a serra constitui para os ventos que sopram do mar. Seu solo é pobre e a topografia é bastante acidentada. Em seu interior predomina uma luminosidade bastante reduzida, decorrente da densidade da vegetação. As árvores são predominantemente altas (20 a 30 metros de altura) e são em sua maioria perenifólias (as folhas não caem durante o inverno). Devido a densidade da vegetação arbórea, o sub-bosque é escuro, mal ventilado e úmido. Próximo ao solo existe pouca vegetação, em decorrência da escassa quantidade de luz que consegue penetrar em seu interior.
Os solos da mata Atlântica se apresentam pobres em minerais e sua natureza é granítica ou gnáissica. A maior parte dos minerais está contida nas plantas ao invés de estar no solo. Como há muita serrapilheira que origina abundante húmus, existem microorganimos de vários grupos os quais decompõem a matéria orgânica que se incorpora ao solo. Esses minerais uma vez liberados pela decomposição de folhas e outros detritos, são prontamente reabsorvidos pelo grande número de raízes existentes, retornando ao solo quando as plantas ou suas partes (ramos, folhas, flores, frutos e sementes) caem. Fecha-se, assim, o ciclo planta-solo, que explica a manutenção de florestas exuberantes em solos nem sempre férteis.
No entanto, o desmatamento leva a um rápido empobrecimento dos solos, já que as águas da chuva carregam os minerais para o lençol subterrâneo (lixiviação). Por esse motivo os solos da mata Atlântica não são favoráveis à agricultura, a menos que sejam enriquecidos anteriormente.
Estima-se que na mata Atlântica existam 10 mil espécies de plantas que contêm uma infinidade de espécies de cores, formas e odores diferentes. Nela encontra-se jabuticabas, cambuás, ingás, guabirobas, jatobás e bacuparis. Plantas como orquídeas, bromélias, samambaias, palmeiras, pau-brasil, jacarandá-da-bahia, cabreúva, ipês, palmito, entre muitas outras, assemelhando-se fisionomicamente e em composição florística à floresta Amazônica, pois são igualmente densas, com árvores altas em setores mais baixos do relevo, apesar de as árvores amazônicas apresentarem em média um maior desenvolvimento. Os troncos são recobertos por uma grande diversidade de epífitas que é um aspecto típico dessas florestas. A existência de grupos semelhantes de espécies entre a Amazônia e a mata Atlântica sugere que essas florestas se comunicaram em alguma fase da história.
Um dos maiores motivos para preservar o que restou da mata Atlântica é a rica biodiversidade, ou seja, a grande variedade de animais e plantas. Calcula-se que nela existam dez mil espécies de plantas, sendo 76 palmeiras; 131 espécies de mamíferos, entre estes 21 espécies de primatas, 23 de marsupiais 57 de roedores; 214 espécies de aves, entre estas destaca-se a araponga, conhecida como “a voz da mata Atlântica” e gravemente ameaçada de extinção; 183 de anfíbios e 143 de répteis. Dentre estes animais estão vários morcegos destacando-se uma espécie branca. Dos símios destacam-se o muriqui, que é a maior e mais corpulenta forma de macaco tropical, e o sauí-preto que é o mais raro dos símios brasileiros. Habitam também a mata diferentes sagüis, os sauás, os macacos-prego e o guariba que está se extinguindo. Dos canídios, o cachorro-do-mato é um dos predadores mais comuns, juntamente com o guaxinim, o coati, o jupurá, os furões, a irara, o cangambá, e felinos, como gatos-do-mato que se alimentam de animais como o tapiti, diferentes ratos-do-mato, caxinguelês, cotias, outiço-cacheiro, o raro ouriço-preto, etc.
Ocorrem também na mata tamanduás-mirins, preguiças, e tatus, com destaque a preguiça-de-coleira que hoje em dia está tão escassa e já ameaçada de desaparecimento.
O mico-leão-dourado é uma das espécies mais ameaçadas do mundo. Ele só é encontrado em uma pequena área de mata Atlântica que corresponde ao estado do Rio de Janeiro.
Devido a grande devastação dessa mata quase 200 espécies estão ameaçadas de extinção, fora aquelas que já se extinguiram. Estima-se que metade das espécies vivas hoje poderão estar extintas até o final do século caso não sejam tomadas medidas para controlar o desmatamento e as queimadas, que são as principais formas de destruição deste importantíssimo bioma brasileiro.


A mata Atlântica é considerada atualmente um dos mais importantes conjuntos de ecossistemas do planeta, e um dos mais ameaçados. As pouquíssimas ilhas de floresta que restam não podem desaparecer.
A destruição do solo e a retirada da floresta rompe com o sistema natural de ciclagem de nutrientes. A remoção da cobertura vegetal fará com que a superfície do solo seja mais aquecida. Esse aquecimento aumentará as oxidações da matéria orgânica que se transformará rapidamente em materiais inorgânicos, solúveis ou facilmente solubilizados. O solos deixam também de ser protegidos da erosão pelas chuvas.
No que refere-se às mudanças climáticas, as florestas são responsáveis por 56 % da umidade local. Sua destruição elimina essa fonte injetora de vapor de água na atmosfera, responsável pelas condições climáticas regionais ao mesmo tempo que diminui o poder de captura do CO² atmosférico. Além disso, as monoculturas implantadas em área de mata são mais sensíveis a pragas e doenças. O ecossistema sob estresse tem tolerância menor ao ataque de parasitas e conseqüentemente têm sido introduzidos nessas áreas grande quantidade de inseticidas e agrotóxicos para combater as pragas, o que contamina os ecossistemas aquáticos pondo fim a um enorme contigente de espécies.