sexta-feira, 25 de abril de 2008

Bioresponsabilidade

  • Mata Atlântica: O bioma ameaçado
Anteriormente, a mata Atlântica cobria um imenso teritório, com aproximadamente 1,3 milhão de Km², percorrendo o litoral brasileiro desde o Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Tratava-se da segunda maior floresta tropical úmida do Brasil, só comparável à Floresta Amazônica.
Atualmente, da segunda maior floresta brasileira restam apenas uma área com aproximadamente cerca de 52.000 Km² (5 % de sua extensão original). Hoje a maioria da área litorânea que era coberta pela mata Atlântica é ocupada por grandes cidades, pastos e agricultura. Porém, ainda restam "manchas" da floresta na Serra do Mar e na Serra da Mantiqueira, no sudeste brasileiro.
Esse tipo de formação florestal recebe várias denominações como: floresta latifoliada tropical úmida de encosta, mata pluvial tropical e mata atlântica (denominação mais geral).
A mata Atlântica compreende a região costeira do Brasil, apresentando ao norte clima equatorial e ao sul clima temperado, com temperaturas elevadas durante o ano todo. Tem como característica um alto índice de pluviosidade, devido à barreira que a serra constitui para os ventos que sopram do mar. Seu solo é pobre e a topografia é bastante acidentada. Em seu interior predomina uma luminosidade bastante reduzida, decorrente da densidade da vegetação. As árvores são predominantemente altas (20 a 30 metros de altura) e são em sua maioria perenifólias (as folhas não caem durante o inverno). Devido a densidade da vegetação arbórea, o sub-bosque é escuro, mal ventilado e úmido. Próximo ao solo existe pouca vegetação, em decorrência da escassa quantidade de luz que consegue penetrar em seu interior.
Os solos da mata Atlântica se apresentam pobres em minerais e sua natureza é granítica ou gnáissica. A maior parte dos minerais está contida nas plantas ao invés de estar no solo. Como há muita serrapilheira que origina abundante húmus, existem microorganimos de vários grupos os quais decompõem a matéria orgânica que se incorpora ao solo. Esses minerais uma vez liberados pela decomposição de folhas e outros detritos, são prontamente reabsorvidos pelo grande número de raízes existentes, retornando ao solo quando as plantas ou suas partes (ramos, folhas, flores, frutos e sementes) caem. Fecha-se, assim, o ciclo planta-solo, que explica a manutenção de florestas exuberantes em solos nem sempre férteis.
No entanto, o desmatamento leva a um rápido empobrecimento dos solos, já que as águas da chuva carregam os minerais para o lençol subterrâneo (lixiviação). Por esse motivo os solos da mata Atlântica não são favoráveis à agricultura, a menos que sejam enriquecidos anteriormente.
Estima-se que na mata Atlântica existam 10 mil espécies de plantas que contêm uma infinidade de espécies de cores, formas e odores diferentes. Nela encontra-se jabuticabas, cambuás, ingás, guabirobas, jatobás e bacuparis. Plantas como orquídeas, bromélias, samambaias, palmeiras, pau-brasil, jacarandá-da-bahia, cabreúva, ipês, palmito, entre muitas outras, assemelhando-se fisionomicamente e em composição florística à floresta Amazônica, pois são igualmente densas, com árvores altas em setores mais baixos do relevo, apesar de as árvores amazônicas apresentarem em média um maior desenvolvimento. Os troncos são recobertos por uma grande diversidade de epífitas que é um aspecto típico dessas florestas. A existência de grupos semelhantes de espécies entre a Amazônia e a mata Atlântica sugere que essas florestas se comunicaram em alguma fase da história.
Um dos maiores motivos para preservar o que restou da mata Atlântica é a rica biodiversidade, ou seja, a grande variedade de animais e plantas. Calcula-se que nela existam dez mil espécies de plantas, sendo 76 palmeiras; 131 espécies de mamíferos, entre estes 21 espécies de primatas, 23 de marsupiais 57 de roedores; 214 espécies de aves, entre estas destaca-se a araponga, conhecida como “a voz da mata Atlântica” e gravemente ameaçada de extinção; 183 de anfíbios e 143 de répteis. Dentre estes animais estão vários morcegos destacando-se uma espécie branca. Dos símios destacam-se o muriqui, que é a maior e mais corpulenta forma de macaco tropical, e o sauí-preto que é o mais raro dos símios brasileiros. Habitam também a mata diferentes sagüis, os sauás, os macacos-prego e o guariba que está se extinguindo. Dos canídios, o cachorro-do-mato é um dos predadores mais comuns, juntamente com o guaxinim, o coati, o jupurá, os furões, a irara, o cangambá, e felinos, como gatos-do-mato que se alimentam de animais como o tapiti, diferentes ratos-do-mato, caxinguelês, cotias, outiço-cacheiro, o raro ouriço-preto, etc.
Ocorrem também na mata tamanduás-mirins, preguiças, e tatus, com destaque a preguiça-de-coleira que hoje em dia está tão escassa e já ameaçada de desaparecimento.
O mico-leão-dourado é uma das espécies mais ameaçadas do mundo. Ele só é encontrado em uma pequena área de mata Atlântica que corresponde ao estado do Rio de Janeiro.
Devido a grande devastação dessa mata quase 200 espécies estão ameaçadas de extinção, fora aquelas que já se extinguiram. Estima-se que metade das espécies vivas hoje poderão estar extintas até o final do século caso não sejam tomadas medidas para controlar o desmatamento e as queimadas, que são as principais formas de destruição deste importantíssimo bioma brasileiro.


A mata Atlântica é considerada atualmente um dos mais importantes conjuntos de ecossistemas do planeta, e um dos mais ameaçados. As pouquíssimas ilhas de floresta que restam não podem desaparecer.
A destruição do solo e a retirada da floresta rompe com o sistema natural de ciclagem de nutrientes. A remoção da cobertura vegetal fará com que a superfície do solo seja mais aquecida. Esse aquecimento aumentará as oxidações da matéria orgânica que se transformará rapidamente em materiais inorgânicos, solúveis ou facilmente solubilizados. O solos deixam também de ser protegidos da erosão pelas chuvas.
No que refere-se às mudanças climáticas, as florestas são responsáveis por 56 % da umidade local. Sua destruição elimina essa fonte injetora de vapor de água na atmosfera, responsável pelas condições climáticas regionais ao mesmo tempo que diminui o poder de captura do CO² atmosférico. Além disso, as monoculturas implantadas em área de mata são mais sensíveis a pragas e doenças. O ecossistema sob estresse tem tolerância menor ao ataque de parasitas e conseqüentemente têm sido introduzidos nessas áreas grande quantidade de inseticidas e agrotóxicos para combater as pragas, o que contamina os ecossistemas aquáticos pondo fim a um enorme contigente de espécies.

Um comentário:

Anônimo disse...

Adorei as fotos e a abordagem linguistíca é bem fácil de um leigo compreender!