quinta-feira, 3 de julho de 2008

O corpo humano em números III

  • Bate coração!
  • O coração é um músculo que pesa 250 gramas, em média. No ritmo normal, que é de 70 a 75 batidas por minuto, ele chega a dar mais de 110.000 batimentos por dia. Mas, em caso de pânico ou susto, pode subir para 150 pulsações por minuto;
  • O coração da mulher é um pouco mais acelerado que o do homem;
  • No corpo em repouso, os 5 litros de sangue que temos, em média, são bombeados por todo o organismo em apenas um minuto. O sangue circula a uma velocidade de 2 Km por hora. Demora, portanto, 15 segundos para chegar de uma mão à outra e 2 segundos do quadril até o pé;
  • São 97.000 quilômetros de veias, artérias e vasos capilares. Se fossem alinhadas, elas dariam 2,5 voltas em torno da Terra. As artérias menores se contraem e relaxam num período entre 2 e 8 segundos;
  • As plaquetas (elementos do sangue responsáveis pela coagulação) vivem apenas dez dias;
  • O horário de maior incidência de ataques cardíacos é das 6 da manhã até o meio-dia.

sábado, 28 de junho de 2008

Injustamente separados

  • Agora, sem lar

Ativistas da província de Orissa, na Índia, pedem a libertação de Ram Singh Munda, de 35 anos, que foi preso na última semana por ter adotado um urso para fazer parte de sua família. Ram teria considerado o filhote de urso uma boa companhia para sua filha de seis anos, que havia acabado de perder a mãe.
Ativistas defendem que Ram, analfabeto, desconhece a legislação que proíbe a domesticação de animais selvagens e nunca explorou o animal para fins comerciais.
O urso, pertencente à espécie Melursus ursinus, foi encaminhado a um zoológico, onde está isolado e se recusa a comer, e a filha de Ram está em um orfanato estatal.

Mas defensores dos direitos dos animais estão pedindo a libertação do homem de 35 anos, assim como um reencontro dos três - pai, filha e urso.
Ran faz parte de uma tribo que vive em florestas no leste da Índia. Ele relatou ter encontrado o urso no ano passado enquanto procurava lenha em um local próximo à aldeia de Gahatagaon.
Conteúdo enviado por Sidimar Rostan

domingo, 15 de junho de 2008

O corpo humano em números II

  • Curiosidades neurocientíficas


  • O cérebro humano pesa em torno de 1,5 Kg – sendo o cérebro feminino um pouco mais leve – e possui cerca de 100 bilhões de neurônios;
  • O peso do cérebro correspondente a 2% do peso do corpo e as atividades cerebrais exigem 25% de todo oxigênio que usamos;
  • Em um milímetro cúbico de tecido cerebral existem 100 mil neurônios que estabelecem 1 bilhão de conexões uns com os outros;
  • Os estímulos nervosos percorrem o cérebro a 385 km/h;
  • Se medíssemos todas as ramificações que os neurônios apresentam, chegaríamos à conclusão de que o cérebro contém uma “fiação” de 100 mil quilômetros, duas vezes e meia a circunferência da Terra.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Sistematicamente distantes e fisiologicamente semelhantes

  • Uma característica preservada ao longo da evolução

As moléculas que participam da transmissão de impulsos neuronais não apresentam diferenças em escala zoológica, tanto que, vermes, moscas e mamíferos apresentam, praticamente, as mesmas moléculas neurotransmissoras e também as que controlam o desenvolvimento embrionário do sistema nervoso. Curiosamente, essas moléculas envolvidas nas atividades cerebrais foram conservadas durante a evolução.
O que difere a nível de cognição, memória e percepção, é o resultado da quantidade de neurônios envolvidos no processo, as propriedades destes neurônios, a diversidade de circuitos (percursos dos estímulos), a diferenciação das áreas anatômicas do cérebro e a frequência do fluxo de íons e moléculas pelos circuitos cerebrais. Essas diferenças são fundamentais para determinar as diferenças comportamentais inatas entre os animais.

A complexa Neurociência

  • Descobertas sobre as "misteriosas borboletas da alma”

O anatomista espanhol Santiago Ramón y Cajal, um século atrás, estudou o cérebro humano, preparando cortes histólogicos corados com uma substância de sais de prata. Ao decorrer da esperiência ele percebeu que algumas células mantinham a coloração, enquanto outras não absorviam o pigmento. Ele, então, observou que as células do sistema nervoso diferenciam-se das demais células do organismo, por possuirem um corpo central de onde partem inúmeras ramificações que as conectam com uma infinidade de outras células semelhantes, e as chamou de neurônios.
Entre todas as descobertas, Cajal também observou que os neurônios apresentam diferenças em relação à forma e ao tamanho, constatando que aqueles com prolongamentos curtos comunicam-se com vizinhos próximos, enquanto outros, expandem seus “tentáculos” para distantes áreas cerebrais e até para a medula espinhal.
Cajal descreveu o processo de transmissão de “sinais” de neurônio para neurônio através de seus prolongamentos - os axônios - que se comunicam com as extensões do neurônio seguinte - os dendritos - e deu a essa propriedade de comunicação o nome de polaridade. Com essa descoberta - a teoria neuronal - o anatomista recebeu o prêmio Nobel de Medicina e, ainda, o título de “pai da Neurociência moderna”.
Segundo ele, os neurônios são “as misteriosas borboletas da alma, cujo bater de asas poderá algum dia - quem sabe? - esclarecer os segredos da vida mental”.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Relíquia paleobotânica

  • A cidade de madeira que virou pedra

O município de Mata localiza-se no interior do Rio Grande do Sul, distante, aproximadamente, 370 Km de Porto Alegre, possuindo uma área de 299,3 K². A criação da cidade se deu em 1962, a partir do já extinto município de General Vargas.
Mata é conhecida pelo slogan de “a cidade de madeira que virou pedra” devido à existência de uma floresta pré-histórica que data de 200 milhões de anos e, petrificada, foi conservada até os dias atuais.
Perto dali, no município de São Pedro do Sul, observa-se a maior floresta petrificada do mundo.
O mais interessante é que, mesmo depois de duas centenas de milhões de anos, as árvores mantiveram todas as características, incluindo-se a estrutura molecular, os anéis de crescimento, a “casca”, as raízes, os nós, o “miolo”, etc.
Mas como isto aconteceu?
Bem, geralmente, quando uma árvore é derrubada ela apodrece e para manterem-se preservadas, as estruturas orgânicas devem ser mantidas conservadas em alguma substância que impeça que os microorganismos as decomponham. As árvores existentes na região do município de Mata mantiveram sua estrutura preservada devido à silica, conhecida vulgarmente como areia. Esse mineral ao decorrer dos anos foi penetrando na madeira das árvores e “vitrificando” sua estrutura. As partes onde a sílica não conseguiu penetrar apodreceram com o passar do tempo.
Os cientistas analisaram os exempleres petrificados e constataram que além da sílica, outros fatores, provavelmente, também contribuíram para a preservação da estrutura da flora pré-histórica da região, como: o potencial alcalino do solo que dissolve a sílica e a existência de água (gelo) durante o período de glaciação.
Já foi repetido, in vitro (em laboratório), métodos de reprodução do processo de petrificação de vegetais, porém, nunca conseguiu-se preservar a estrutura celular dos exemplares que, em boa parte das árvores petrificadas encontradas no Rio Grande do Sul, foi mantida intacta. Tão intacta, que permite aos cientistas estudarem as mudanças ocorridas ao longo do período da existência da árvore e a evolução da estrutura celular da antiga flora.

sábado, 7 de junho de 2008

O corpo humano em números

  • As células

São mais de 220 bilhões de células em nosso organismo.
As que revestem o estômago e o intestino são todas trocadas a cada três dias. As da gengiva se renovam a cada duas semanas. Algumas vivem apenas 1,5 dia, mas no fígado, elas resistem até 5 meses. No sangue, os glóbulos brancos duram 15 dias e os vermelhos, 120.
Os macrófagos (grandes células sangüíneas) digerem uma bactéria em apenas um centésimo de segundo.
O homem produz 8 trilhões de espermatozóides durante a vida. Em cada ejaculação, são liberados entre 250 milhões e 500 milhões.
A mulher nasce com 400.000 óvulos nos dois ovários. Destes, só uns 500 vão maturar, os que não forem fertilizados serão eliminados pela menstruação.
O óvulo é a maior célula humana.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Dia Mundial do Meio Ambiente

  • O frágil planeta azul



Estamos no início do século 21 e, desde 4 bilhões de anos atrás – quando surgiram as primeiras formas de vida – nosso planeta sofre modificações que têm influência decisiva na sobrevivência de todas os organismos.
Essas modificações ambientais já promoveram o desaparecimento de muitas espécies que, pressionadas pelas adversidades, acabaram desaparecendo e, assim, dando lugar à outras mais “aptas”.
Mas agora, por mais incrível que pareça, uma única espécie se acha no direito de governar sobre todas as outras, parecendo esquecer que são muito mais dependentes das espécies - por eles julgadas inferiores - do que estas em relação a eles. Em sua ganância desenfreada e sede de exploração, esses seres têm se orgulhado de sua capacidade de criação e parecem desconhecer que esta mesma capacidade (que ironicamente também é utilizada como argumento de sua superioridade) está os levando para a primeira extinção artificial já vista na Terra.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Turismo cruel

  • A ameaça da caça esportiva
Os leopardos-das-montanhas são animais ariscos, preferindo viver isolados de outros da mesma espécie. Porém, esse isolamento existencial não irá conseguir mantê-los distante dos caçadores. A proibição de caça aos leopardos, imposta desde 1980, foi cancelada pelo governo da Uganda. A retomada da caça esportiva deve-se ao fim dos conflitos internos no país e a conseqüente expansão do turismo.
Apesar de o governo uganense afirmar que serão abatidos apenas os animais mais velhos, conseqüentemente, fora da idade reprodutiva e incentivar a caça aos leopardos com a utilização de dardos tranquilizantes, a atividade desportiva do país torna-se uma ameaça à sobrevivência da espécie.

A "roupa" para a guerra

  • Coloração de aviso

Você já deve ter percebido que alguns animais apresentam estratégias muito interessantes para defender-se dos predadores. Essas estratégias são muito diferenciadas, mas todas têm um ponto em comum: a perpetuação da espécie, ou, se preferirem, a perpetuação das características genéticas do indivíduo.
O mimetismo é um desses métodos. Ele permite ao animal camuflar-se no ambiente, passando despercebido ao predador.
Ao contrário dos que preferem se esconder, há também os que preferem se mostrar, apresentando uma coloração vistosa para “anunciar” aos predadores que podem ser perigosos. Esta estratégia é chamada de coloração de aviso.
Um bom exemplo disso é o caso dos nudibrânquios, ou, mais popularmente, as lesmas-do-mar que, em sua maioria, produzem toxinas desagradáveis ao animal que as ingere. Assim, o predador identifica facilmente o perigo e não torna mais a atacar.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Frágil ecossistema gaúcho

  • Reserva Ecológica do Taim
A reserva ecológica do Taim possui uma área de 32.038 ha, distante, aproximadamente, 370 quilômetros de Porto Alegre. Está localizada na região sul do Rio Grande do Sul, em um istmo na península do Albardão, isolada, de um lado pelas lagoas Mangueira e Mirim e, de outro, pelo Banhado do Taim, tendo o Oceano Atlântico ao Leste, em território pertencente aos municípios de Rio Grande e Santa Vitória do Palmar.
A Reserva é composta por bosques entre figueiras e corticeiras, em um ecossistema predominantemente pantanoso, ao lado de dunas e praias.
Um dos principais motivos que levaram à criação da Estação Ecológica do Taim, em 21 de julho de 1986, foi o fato de esta área ser um dos locais por onde passam várias espécies de animais migratórios vindos da Patagônia.
O Taim reserva um dos ecossistemas mais frágeis do Estado. Na área há cerca de 230 espécies de pássaros, 70 de mamíferos e 60 de peixes. No local pode-se encontrar capivaras (Hydrochoereus hydrochoereus), tuco-tucos (Atenomys flamarioni), jacarés-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) que estão incluídos em listas nacionais e internacionais de animais ameaçados de extinção, tartarugas, gatos-do-mato e ratões-do-banhado (Myocastor coypus) espécie que sofreu uma perseguição intensa devido ao valor da sua pele. O cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus) já foi encontrado no Taim no início do século, porém, foi extinto devido a ações predatórias do homem.
Entre as espécies de aves a mais surpreendente é o cisne-de-pescoço-preto (Cygnus melancoryphus) que convive com colhereiros, flamingos e caracarás e é considerada símbolo da reserva.
Outras espécies de aves também ameaçadas de extinção são o coscoroba (Coscoroba coscoroba), o irerê (Dendrocygna), o marrecão-da-Patagônia (Neta peposaca), os socós (Trigrisonia spp.), o tachã (Chauna torquata), a garça-branca-grande (Casmerodis albus) e muitos outros.
As árvores dominantes na Reserva são a figueira nativa (Ficus organensis) e a corticeira (Erythrina sp.) das quais pendem barbas-de-velho que causam efeito decorativo. Destacam-se também as orquídeas, sendo a Cattleya intermedia a principal espécie.
No banhado, que constitui a maior parte da Estação, domina o junco (Sairpus californicus). Estão presentes, também, plantas aquáticas como o aguapé (Eichornia crasnpes) e a erva-de-santa-luzia (Pistia stratiotes). Entre as gramíneas, foram assinaladas a Paspalum e a Spartina, que ocupam grandes áreas do banhado e oferecem refúgio para diversas espécies de aves e mamíferos.
Por ser o banhado um dos últimos remanescentes desse tipo de ecossistema, a Estação Ecológica do Taim tem valor especial para estudos ecológicos.
A simples utilização da estação como área de descanso, crescimento ou nidificação torna-a ainda mais importante para as espécies migratórias, pois, a destruição de uma área na rota de migração pode colocá-las em risco de extinção.
A Estação conta com uma infra-estrutura para o desenvolvimento de pesquisas onde não é permitida a visitação pública com o objetivo de lazer, porém, são incentivadas atividades de Educação Ambiental.

domingo, 1 de junho de 2008

Planeta água

Funcionários da Corsan realizam uma campanha em todo o Rio Grande do Sul para garantir na Constituição Estadual que a água seja um bem comum de todos e não possa ser privatizada. A categoria, juntamente com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Água e em Serviços de Esgotos (Sindiágua) irá protocolar em Novembro, na Assembléia Legislativa, um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) que altera o artigo 7º da Constituição. Os trabalhadores querem colocar no texto, que dispõe sobre os bens do Estado, que a água deve continuar pública, não podendo ser privatizada.
O presidente do Sindiágua, Rui Porto, afirma que a PEC é uma resposta ao assédio das empresas privadas às prefeituras do interior. Ele relata que empresas estão prometendo ganhos para que prefeitos não renovem o convênio com a Corsan, conseguindo desta maneira assumir os serviços de água e esgoto.
“Temos o medo de que a iniciativa privada comece a querer a debruçar os olhos sobre a água até em função da anunciada crise mundial da água, lá para 2025, quando de acordo com estudos de organismos internacionais haverão 3,5 milhões de seres humanos sem acesso a água potável”, afirma.
Cidades da Argentina já tiveram experiências negativas com a privatização da água. O serviço se tornou de péssima qualidade e caro, o que fez com que muitos habitantes não conseguissem pagar as contas e ter acesso à água potável. Na província de Tucumán, a empresa que assumiu o setor em 1995 aumentou a tarifa de água em 104%. Para Rui, é natural que o interesse da iniciativa privada esteja voltada ao Brasil.
“O Brasil detém 12% das reservas de água doce potável do planeta. Então é muito natural que essas empresas queiram privatizar a água. E para evitar que isso aconteça o nosso entendimento é de que o legado que podemos deixar para as gerações futuras é o acesso à água pública”, diz.
A campanha em apoio à PEC dos funcionários da Corsan foi lançado 24 de Maio, no auditório Dante Barone, na Assembléia Legislativa. O objetivo é arrecadar dois milhões de assinaturas no abaixo-assinado, o que corresponde a 1/3 do eleitorado gaúcho. Qualquer pessoa pode assinar o abaixo-assinado, que está disponível nas nove superintendências regionais da Corsan.

Por: Sidimar F. Rostan

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Processos evolutivos II

  • Cactus do Rio Grande do Sul

A Família Cactaceae possui cerca de 1.300 espécies nas regiões tropicais das Américas, sendo o Rio Grande do Sul representado por aproximadamente 80 espécies e 12 gêneros.
No Rio Grande do Sul as éspécies de cactus podem ser encontradas, principalmente, associadas às formações vegetais ou em afloramentos rochosos, embora existam também espécies da família tipicamente florestais.
Possuem como característica o alto grau de evolução, tanto na morfologia vegetativa, como na estrutura floral adaptada para a polinização, pois as flores costumam ser grandes, com cores variadas, com a função de atrair os polinizadores.
A família Cactaceae é representada por plantas perenes (não perdem folhas ou outras estruturas periodicamente), geralmente suculentas e altamente especializadas.
O caule da maioria das épécies apresenta-se modificado para a realização da fotossíntese, já que, são raras as espécies que apresentam folhas. Ao invés destas os exemplares de cactus apresentam espinhos, que nada mais são do que folhas modificadas, adquiridos durante o processo evolutivo. Esta característica lhes permitiu a sobrevivência em locais com pouca disponibilidade de água e,
sendo as folhas o principal órgão responsável pela transpiração vegetal, os espinhos, além de protegerem contra os predadores, apresentam uma superfície menor, favorecendo à planta equilibrar a perda de água para o ambiente e, por consequência, as espécies de cactus podem armazenar vários litros de água no interior de seus caules, adaptando-se muito bem à climas com temperatura elevada e substratos com umidade quase inexistente.

A maioria das espécies da Família Cactaceae encontradas no Rio Grande do Sul pertencem aos gêneros: Cereus, Lepismium, Opuntia, Parodia e Rhipsalis.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Ameaça extrangeira


O que segue é um comentário enviado por Sidimar Ferreira Rostan, jornalista, graduado pela URCAMP - Universidade da Região da Campanha.

Utilizo-me destas sábias palavras de modo complementar ao assunto do post de 28/04/08, entilulado: "Meu Pampa querido - Parte II", referente à prática do monocultivo de espécies de eucalipto, pinus e acácia-negra no Pampa gaúcho.

"A hipocrisia infelizmente continua sendo um eficiente instrumento político-administrativo. E o melhor exemplo da eficiência deste discurso emerge da Noruega. O país europeu justifica sua condição de ícone do desenvolvimento social por reproduzir um sistema de ensino eficaz, manter uma confiável rede pública de saúde e garantir equidade na distribuição de renda. Mas, fora de seu território, membros da coroa norueguesa fomentam o atrasado modelo de desenvolvimento econômico-financeiro que reduz a “questão” sócio-cultural à geração de empregos e ao investimento compensatório em ações reconhecidas como atos de responsabilidade ambiental. E foi no Rio Grande do Sul que a família norueguesa Lorentzen, ligada à coroa daquele riquíssimo país do norte europeu, encontrou o cenário político perfeito para potencializar o seu discurso incoerente por conveniência$. A família nórdica controla 28% da Aracruz Celulose, a maior papeleira do Brasil. E a opinião pública nunca a incomodará. Afinal, os pulmões e as expectativas dos 4,5 milhões dos nobres súditos da coroa nórdica estão bem longe do sul do Equador, onde, aliás, o pecado ainda não existe."

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Mais um pouco sobre as abelhas

  • Curiosidades

  • Pesquisas arqueológicas mostram que as abelhas sociais já produziam e estocavam mel há 20 milhões de anos, antes mesmo do surgimento do homem na Terra, o que só ocorreu poucos milhões de anos atrás;
  • A palavra colméia vem do grego, pois os gregos colocavam seus enxames em recipientes com forma de sino feitos de palha trançada chamada de colmo;
    Na Grécia Antiga, as abelhas já assumiam tanta importância para o homem que eram consideradas sagradas para muitas civilizações. Com isso várias lendas e cultos surgiram a respeito desses insetos. Com o tempo, elas também passaram a assumir grande importância econômica e a ser consideradas um símbolo de poder para reis, rainhas, papas, cardeais, duques, condes e príncipes, fazendo parte de brasões, cetros, coroas, moedas, mantos reais, entre outros;
  • Na Idade Média, em algumas regiões da Europa, as árvores eram propriedade do governo, sendo proibido derrubá-las, pois elas poderiam servir de abrigo a um enxame no futuro. Os enxames eram registrados em cartório e deixados de herança por escrito, o roubo de abelhas era considerado um crime imperdoável, podendo ser punido com a morte;
  • Para baixar a temperatura da colméia, as abelhas do interior da colônia se distanciam dos favos e se aglomeram do lado de fora da caixa. Algumas operárias ficam posicionadas na entrada do ninho, movimentando suas asas de forma a direcionar uma corrente de ar para o interior da colméia. Essa corrente de ar, além de esfriar a colméia, auxilia na evaporação da umidade do néctar, transformando-o em mel;
  • Em períodos frios, para aumentar a temperatura do interior do ninho, as abelhas se aglomeram em "cachos". Se a temperatura continuar caindo, as operárias aumentam sua taxa de metabolismo, provocando vibrações dos músculos torácicos, gerando calor. Ocorre também uma troca de posição: abelhas que estão no centro do cacho vão para as extremidades e vice-versa.

Insetos de vida social - Parte II

  • As abelhas


Classificação científica:
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Hymenoptera
Subordem: Apocrita
Super- família: Apoidea
Gênero: Apis
Espécie: Apis mellifera

Assim como as formigas, as abelhas também são insetos pertencentes à Ordem Hymenoptera e apresentam uma organização social complexa. São insetos que vivem agrupadas em colônias dentro de colméias e são conhecidas a mais de 40 mil anos.
As abelhas são descendentes das vespas que, durante a evolução, deixaram de se alimentar de pequenos insetos e aranhas para consumirem o pólen das flores quando essas surgiram, há cerca de 135 milhões de anos. Durante esse processo evolutivo, surgiram várias espécies de abelhas. Hoje se conhecem mais de 20 mil espécies, mas acredita-se que existam umas 40 mil espécies ainda não descobertas. Somente 2% das espécies de abelhas são sociais e produzem mel. Entre as espécies produtoras de mel, as do gênero Apis são as mais conhecidas.
O fóssil mais antigo desse gênero que se conhece é da espécie já extinta Apis ambruster, de aproximadamente 12 milhões de anos. Provavelmente esse gênero de abelha tenha surgido na África após a separação do continente americano, tendo posteriormente migrado para a Europa e Ásia, originando as espécies Apis mellifera, Apis cerana, Apis florea, Apis korchevniskov, Apis andreniformis, Apis dorsata, Apis laboriosa, Apis nuluensis e Apis nigrocincta.
As abelhas que permaneceram na África e Europa originaram várias subespécies de Apis mellifera adaptadas às diversas condições ambientais em que se desenvolveram. Embora hoje essa espécie seja criada no continente Americano e na Oceania, elas só foram introduzidas nessas regiões no período da colonização.
Durante seu ciclo de vida, as abelhas passam por quatro diferentes fases: ovo, larva, pupa e adulto.
Em cada colméia existem cerca de 60 mil abelhas, há apenas uma abelha fêmea com os órgãos sexuais completamente formados, essa é chamada de rainha.
A abelha rainha é geneticamente igual às operárias, e sua estrutura corporal diferencia-se devido à alimentação que recebe durante o desenvolvimento. Este alimento especial e rico em proteínas é chamado de geléia real. A única tarefa das abelhas-rainhas é a postura de ovos. A abelha rainha copula uma vez com vários zangões e vive aproximadamente cinco anos. Seu abdômen é maior e mais claro.
A capacidade de postura da rainha pode ser de até 2.500 a 3.000 ovos por dia, em condições de abundância de alimento. Ela pode viver e reproduzir-se por até 3 anos ou mais. Entretanto, em climas tropicais, sua taxa de postura diminui após o primeiro ano.
A rainha consegue manter a ordem social na colmeia através da liberação de feromônios. Quando ocorre a morte da rainha ou quando ela deixa de produzir feromônios e de realizar posturas, em virtude de sua idade avançada, ou ainda quando o enxame está muito populoso e falta espaço na colmeia, as operárias escolhem ovos recentemente depositados ou larvas de até 3 dias de idade, que se desenvolvem em células especiais chamadas realeiras para a produção de novas rainhas. A primeira rainha a nascer destrói as demais realeiras e luta com outras rainhas que tenham nascido ao mesmo tempo até que apenas uma sobreviva.
As abelhas operárias são aquelas que de acordo com sua idade limpam a colméia, cuidam das larvas, produzem cera, constroem o favo, armazenam alimento e protegem a colméia. Pelo fato de viver em constante trabalho, vivem de um a quatro meses dependendo de seu cansaço físico.
O zangão nasce de um ovo não fecundado e sua função é somente fecundar a abelha rainha, morrendo pouco depois, e vivendo, no máximo, até três meses.
As abelhas podem ser divididas em três categorias: sociais, solitárias e parasitas. Abelhas sociais são as que vivem em enxame, são as minorias dentro da vasta quantidade de espécies, porém a mais conhecida.
As abelhas solitárias fazem seu ninho a partir de células de cria onde depositam pólen e néctar e sobre estes depositam seu ovo. Feito isto as abelhas solitárias fecham a célula e vão embora. Seu ninho pode ser construído no chão, fendas de pedras, madeira podre, caixas e até mesmo em ninhos abandonados de outros insetos.
As abelhas parasitas são aquelas que roubam o ninho de outras abelhas para depositar seus ovos, algumas invadem o ninho depositam seus ovos e vão embora deixando seus ovos aos cuidados da abelha dona do ninho.
Entre as abelhas Apis mellifera, a comunicação pode ser feita por meio de sons, substâncias químicas (feromônios), tato, danças ou estímulos eletromagnéticos. As abelhas produzem o mel, a geléia real, o pólen, a própolis e o veneno.
O mel é conhecido desde a antiguidade, foi o único alimento doce usado pelo homem até quando foi substituído por açúcares. O mel é o único doce rico em proteínas, sais minerais, vitaminas, enzimas, dextrinas, aminoácidos e hormônios naturais e essenciais para a vida do homem. Possui ação antibactericida como poucos alimentos.
A geléia real contém quantidades significativas de proteínas, lipídeos, carboidratos, vitaminas, hormônios, enzima, substâncias minerais, substâncias biocatalizadores nos processos de regeneração das células.
O pólen possui elementos indispensáveis para a vida de um ser vivo pelo fato de ter bastante vitaminas, proteínas e hormônio, mas em estudo realizado na França, percebeu o ganho de peso nas pessoas que usavam o pólen para algum fim. O pólen é conhecido como o “pão das abelhas”.
A própolis é um poderoso antibiótico natural formado por ceras e resinas de brotos dentre outras partes de tecido vegetal. Leva ainda enzimas salivares e materiais inorgânicos. Possui ações bactericidas, anti-inflamatórias, cicatrizantes, anestésicas e antifúngicas.
O veneno da abelha normalmente não é fatal ao homem. O veneno só pode ser fatal se for aplicado em grande quantidade e em pessoas alérgicas. A picada de uma abelha pode ser perigosa para ela também. A abelha quase sempre morre depois de picar um homem ou outro mamífero por causa da perda do seu ferrão.
O mel, que é usado como alimento pelo homem desde a pré-história, por vários séculos foi retirado dos enxames de forma extrativista e predatória, muitas vezes causando danos ao meio ambiente, matando as abelhas. Entretanto, com o tempo, o homem foi aprendendo a proteger seus enxames, instalá-los em colmeias racionais e manejá-los de forma que houvesse maior produção de mel sem causar prejuízo para as abelhas. Nascia, assim, a apicultura.
O Brasil é, atualmente, o 6° maior produtor de mel (ficando atrás somente da China, Estados Unidos, Argentina, México e Canadá), entretanto, ainda existe um grande potencial apícola (flora e clima) não explorado e grande possibilidade de se maximizar a produção, incrementando o agronegócio apícola.
As abelhas de origem alemã (Apis mellifera mellifera) foram introduzidas no Brasil em 1839. Posteriormente, em 1870, foram trazidas as abelhas italianas (Apis mellifera ligustica). Essas duas subespécies foram levadas principalmente ao sul do Brasil.
Já em 1956, foram introduzidas as abelhas africanas (Apis mellifera scutellata), identificadas anteriormente como Apis mellifera adansonii.
As abelhas africanas e seus híbridos com as abelhas européias são responsáveis pela formação das chamadas abelhas africanizadas que, hoje, dominam toda a América do Sul, a América Central e parte da América do Norte.

sábado, 3 de maio de 2008

Insetos de vida social - Parte I

  • As formigas


Classificação científica:
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Super-ordem: Endopterygota
Ordem: Hymenoptera
Família: Formicidae

Características:
Comprimento: em média 1 cm;
Cor: varia de acordo com a espécie, mas a maioria são avermelhadas ou pretas;
Quantidade de espécies: mais de 10.000 espécies catalogadas.

As formigas surgiram há cerca de 100 milhões de anos, quando a América do Sul e a África ainda estavam unidas. Os fósseis mais antigos foram descobertos em depósitos sedimentares da Formação Santana, localizada na fronteira entre o Ceará e Pernambuco.
Todas as formigas pertencem a uma só família (Formicidae). Das 16 subfamílias, sete ocorrem no Brasil, país onde se registrou maior número de espécies. Atualmente, cerca de 10.000 espécies são conhecidas.
As formigas são insetos ápteros (não apresentam asas, exceto durante uma fase da vida das rainhas). Pertencentes à Ordem Hymenoptera, a qual abrange também as abelhas, vespas e outras espécies. Em geral, possuem uma vida social altamente especializada.
As formigas são insetos terrestres, encontrados desde o Equador até aproximadamente latitudes de 50 graus, do nível do mar a altitudes de cerca de 3 mil metros. Elas vivem exclusivamente em colônias. A vida em sociedade possibilita o cuidado cooperativo à prole e a divisão de trabalho reprodutivo, com fêmeas férteis (rainhas) e estéreis (operárias).
Em geral, as colônias são fundadas por apenas uma fêmea alada. O acasalamento da formiga rainha acontece num vôo nupcial. Após a fecundação o macho morre e a rainha perde as asas antes de colocar os ovos.
Em algumas espécies, as colônias são fundadas por diversas rainhas, mas apenas uma mantém o posto: a rainha vencedora repele ou mata as outras. Em colônias maduras, a população pode chegar a milhões de indivíduos. As rainhas de algumas espécies podem viver até 18 anos.
Depois que os ovos eclodem, cabe à rainha fundadora alimentar as larvas. Para isso, ela busca alimentos ou regurgita os que estocou em seu tubo digestório. O alimento das larvas deve ser rico em proteínas, porque essa é a fase de crescimento. As larvas transformam-se em pupa e depois nascem as primeiras operárias. Então, a rainha reduz bastante suas atividades, praticamente limitando-se a colocar ovos. As operárias assumem as demais tarefas: busca de alimentos, cuidado da prole, manutenção e ampliação do ninho e defesa da colônia. Depois de atingir a fase adulta, as formigas param de crescer. Por isso elas precisam ingerir açúcares apenas para repor os gastos energéticos. Os ovos e as pupas não se alimentam.
A maioria das espécies de formigas têm hábitos oportunistas e dieta generalista, sugerindo uma ampla distribuição pelos ecossistemas. Entretanto, com base no conhecimento sobre os padrões de distribuição, grande parte das espécies vive em regiões restritas.
Nos trópicos, vivem as formigas-de-correição, em colônias com milhares de indivíduos. Essas formigas têm hábitos nômades. Na verdade, elas alternam períodos estacionários (quando se reúnem em acampamentos temporários) e períodos de deslocamento, em que toda a colônia se transfere de lugar. Durante os ciclos de deslocamento, acontecem os ciclos de produção de novos indivíduos.
A chamada formiga argentina (Iridomyrmex humilis), originária de América Tropical (Norte da Argentina e do Brasil), é a invasora por excelência. Pequena e ágil, ela se difundiu por toda a América e Europa. Alimenta-se de plantas, de substâncias açucaradas que os pulgões expelem e de substâncias doces como mel, açúcar, etc.
Outra formiga muito comum é a formiga negra, capaz de devorar uma planta inteira em poucas horas, transportando-a até o formigueiro em pequenos fragmentos. Mas elas não comem as folhas: as armazenam para que fermentem, gerando microscópicos fungos brancos que são seu alimento, ou seja, elas cultivam a própria comida. Além disso, estes fungos não aparecem por acaso. Quando empreendem seu vôo nupcial, as formigas levam em suas mandíbulas um pequeno pedaço de fungo, que irá se multiplicar e ser o sustento da nova colônia que ela irá fundar.
Entre os membros mais temíveis da Família Formicidae mais temíveis está a gigante australiana, que com suas mandíbulas grandes consegue produzir picadas profundas e dolorosas.
As formigas são responsáveis por uma parcela significativa da reciclagem de nutrientes e aeração das camadas superficiais do solo. Algumas espécies mantêm associações simbióticas com plantas, protegendo-as contra a ação de outros animais em troca de alimentos (em geral néctar). Diversas espécies bebem líquidos açucarados produzidos por pulgões, cochonilhas e outros insetos semelhantes.
Muitas formigas possuem, na parte final do abdômen, um ferrão que é ligado a glândulas. Com o ferrão elas injetam substâncias que paralisam suas presas; outras utilizam substâncias produzidas nessas glândulas para marcar trilhas, que serão usadas por suas companheiras. No homem essa substância costuma ser urticante.
A vida em colônias e a dominância comportamental no solo e na vegetação tornaram as formigas responsáveis pelo controle da população de outros insetos, além de serem os primeiros decompositores a atacar carcaças de animais mortos nas matas tropicais.
Como são muito abundantes, as numerosas colônias desfolham a vegetação, sendo consideradas as principais pragas agrícolas no Brasil, com prejuízos estimados em milhões de reais.

  • A gigante brasileira

A formiga carnívora gigante (Dinoponera gigantea) é originária do Maranhão, não tendo indicações de outras origens, nem verificando migração ou invasão de outros territórios. É a maior formiga conhecida no mundo.
Além de ter um tamanho assustador, chegando a medir três centímetros, essas formigas são venenosas. Utilizam seu veneno para imobilizar e matar outros insetos, pequenos répteis e até ratos.
A formiga gigante só ataca suas vítimas para comer, mas só utiliza seu ferrão venenoso quando se sente ameaçada. Uma picada dessa formiga pode até provocar a morte de um humano se a vítima for alérgica ao veneno da espécie.
Nas colônias dessa espécie não existe uma formiga que nasce com a função de ser rainha. A ordem de hierarquia é definida depois de uma luta entre algumas operárias. A vencedora torna-se, automaticamente, rainha.
Mesmo que as formigas sejam consideradas pragas, a natureza precisa delas, sem elas muitos ecossistemas seriam prejudicados e algumas espécies deixariam de existir.

  • Curiosidades
  • Formigas-operárias são as que só trabalham em benefício do formigueiro, estão sempre em atividade e jamais se reproduzem;
  • Seu ninho é escavado a aproximadamente dois metros de profundidade do solo, semelhante a uma fenda, a partir daí se inicia um túnel espiral de onde saem às câmaras, salas onde vivem e trabalham.
  • Na maioria das espécies de formiga os ninhos ficam na superfície;
  • Depois de eleita a rainha a fecundação acontece, e o macho aparece com a finalidade única de fecundar a fêmea. Fecunda uma única vez e a dominante pode ter filhotes pelo resto da vida;
  • As formigas representam a maior população de insetos do planeta, existem mais de 18 mil espécies, das quais três mil vivem no Brasil;
  • As formigas não dormem, têm uma audição e visão pouco desenvolvidas;
  • As formigas da espécie Odontomachus bauri têm a mordida mais rápida do mundo, literalmente, mais rápida que um piscar de olhos. Este inseto caçador é capaz de fechar as presas com velocidade entre 125 km/h e 233 km/h.

Os recordes entre os insetos

  • Curiosidades
  • Algumas espécies de bicho-graveto chegam a medir 7 cm de comprimento por menos de 1 mm e meio de largura, enquanto outros chegam a medir meio metro de comprimento, incluindo as patas;
  • O escaravelho gigante da Austrália (Goliathus cassicus) chega a pesar 100 g;
  • A fama de maior comilona do planeta parece ser da colorida mariposa Polifermo da América do Norte. Suas larvas consomem, em 55 dias, uma quantidade de alimento equivalente a cerca de 85 mil vezes o seu peso;
  • Algumas moscas, borboletas e mutucas que podem voar tranqüilamente a quase 40 Km/h. Já a Ischnura saharensis (uma espécie de libélula) ostenta o recorde de 57 Km/h;
  • Algumas baratas dos trópicos também estão entre os insetos terrestres mais velozes. Durante experiências, elas superaram os 50 Km/h;
  • Uma formiga comum pode levantar até 30 vezes o volume de seu corpo, e até 50 vezes seu peso;
  • Se a descendência de um único casal de moscas sobrevivesse integralmente, seriam cerca de 200 trilhões: um 2 seguido de 20 zeros... é mosca que não acaba mais!

A classe dominante

  • Vida de inseto


A Classe Insecta está contida no filo Arthropoda, no qual estão inseridos os animais que apresentam apêndices articulados.
Os insetos surgiram na era Paleozóica, durante o período Carbonífero, há aproximadamente 350 milhões de anos atrás. Eles, provavelmente, foram os primeiros seres vivos capazes de voar.
Atualmente, existem 750 mil espécies de insetos catalogadas, totalizando um incrível número de 10 mil trilhões de indivíduos, só em formigas. Os insetos constituem ¾ da vida no planeta.
Os insetos apresentam um esqueleto externo (exoesqueleto) constituído principalmente de quitina. A quantidade de quitina varia de acordo com a espécie. O sistema circulatório dos membros da Classe Insecta é aberto e o coração se apresenta como um cilindro oco. O sistema digestório se apresenta como um tubo retilíneo de longitude variável. O sistema nervoso é relativamente simples, formado por uma sucessão de gânglios, os cinco primeiros formam o “cérebro” que juntamente com o sistema periférico desempenha funções sensoriais.
Via de regra, os insetos apresentam 3 pares de patas, e podem ter asas, ou estas podem estar ausentes, como no caso de pulgas, piolhos, formigas, etc.
O corpo dos insetos é formado por três regiões principais, chamadas tagmas, com funções claramente distintas.
A cabeça contém os órgãos sensoriais: os olhos e as antenas. As antenas, sempre duas, são de diversos tipos. Os olhos podem ser simples (normalmente são três), e são chamados de ocelos; ou compostos formados por diversos ocelos: 7 em algumas formigas, 4 mil em mosquitos e 12 mil em mariposas.
Na cabeça também está o aparelho bucal que pode ser: mastigador (o mais primitivo), picador-chupador (mosquitos, percevejos, piolhos), lambedor (abelhas), tipo esponja (moscas), tipo sifão ou espiritromba (mariposas), etc.
O segundo tagma, o tórax, é o centro da locomoção: é ele quem abriga as seis patas (cada uma articulada em vários segmentos), e as duas ou quatro asas, que podem ser úteis ou não. Quando as asas são mais duras que em outros grupos, elas se chamam tégminas, como no caso de grilos, os gafanhotos e baratas. Quando as asas são totalmente endurecidas, ou quitinizadas, elas se chamam élitros, como no caso dos escaravelhos.
Finalmente vem o abdômen, que é o centro da reprodução. Os insetos apresentam sexos separados e morfologicamente muito diferentes. Em sua grande maioria, eles são ovíparos, ou seja, se reproduzem por meio dos ovos postos pelas fêmeas.
O conjunto de transformações externas e internas que o inseto sofre desde o ovo até o estágio adulto chama-se metamorfose. Os insetos que passam por uma metamorfose muito simples, pois já nascem com o aspecto dos adultos, chamam-se ametábolos, a traça é um exemplo. Os insetos de metamorfose incompleta, ou hemimetábolos, são ninfas em seus estágios iniciais. Uma ninfa é quase sempre muito parecida ao estágio adulto, chamado imago. Esse tipo de desenvolvimento aparece nos percevejos, nos gafanhotos, nos pulgões, etc. Existem, ainda, os que passam pela metamorfose completa (holometábolos) atravessam várias etapas. No estado larval eles são muito diferentes dos adultos: não têm olhos compostos, nem patas, nem esboços de asas. Depois da etapa larval, vem a pupação: o inseto constrói um casulo, dentro do qual ele sofre uma série de transformações, até sair de lá transformado em um adulto. O exemplo mais conhecido é a borboleta.
Até atingir o estágio adulto, algumas espécies de insetos trocam sua cutícula até 23 vezes. Cada troca de exoesqueleto entre os artrópodes é chamada de muda ou ecdise.
Os insetos são agrupados em várias ordens por suas semelhanças morfológicas. A ordem que abrange maior quantidade de indivíduos catalogados é a dos coleópteros, que inclui os besouros.

  • Insetos versus homem

Os insetos diferem largamente em relação à alimentação. Alguns são hematófagos, como mosquito, pulgas, barbeiro. Outros alimentam-se de plantas, sendo herbívoros, como formigas, gafanhotos. Algumas espécies alimentam-se de material em decomposição como alguns besouros, baratas e, ainda, temos algumas espécies nectarívoras como as abelhas, vespas, borboletas. Além destes existem uma infinidade de hábitos alimentares entre os representantes da Classe Insecta. E ainda há os que praticam o canibalismo, como no caso do louva-a-deus (Mantis religiosa).
Alguns insetos podem ser considerados nocivos à espécie humana por serem transmissores de doenças além de espécies parasitas ou aquelas que são consideradas pragas. Mas também há inúmeros insetos que trazem benefícios ao homem. Além de sua conhecida utilidade no equilíbrio ecológico, seja consumindo materiais em decomposição, melhorando o solo ou contribuindo para a polinização, também existem insetos que produzem substâncias úteis ao homem. É o caso das abelhas (Apis mellifera), que fornecem, além do mel, a cera, o própolis e a geléia real.
São bem conhecidas as propriedades curativas do própolis e mesmo do veneno das abelhas, como estimulantes do sistema imunológico e por sua atividade anti-viral e antimicrobiana. O própolis atua no combate uma bactéria que causa úlceras gastrointestinais, além de ser eficaz no tratamento de infecções respiratórias.
O emprego de insetos com fins curativos é uma tradição muito forte entre os orientais. Na América, ela se originou em tempos pré-hispânicos e se mantém até os dias de hoje. Culturas indígenas mexicanas atribuem a determinados insetos funções analgésicas, anestésicas, diuréticas e afrodisíacas. Eles são largamente empregados no combate a infecções digestivas, circulatórias, respiratórias, ósseas e nervosas. Na medicina naturalista, a luciferase, proteína contida na luz dos vaga-lumes (Lampyris noctiluca), é indicada para transtornos hepáticos.
De diversos insetos também se obtém corantes naturais muito apreciados. Alguns são extraídos de flores e plantas, outros são produzidos por seu próprio metabolismo. Temos também a seda, proveniente do autêntico bicho-da-seda (Bombyx mori), que é o único inseto completamente domesticado, já não existindo em estado selvagem. Seu processo de domesticação começou na China, há milhares de anos. As larvas desta borboleta comem folhas de amoreira. Quando estão prestes a se transformar em crisálidas, elas tecem um casulo maciço, formado por um filamento único de cerca de 300 metros de comprimento, com o qual se tece a melhor seda. Existem outras borboletas grandes, silvestres de verdade, que produzem casulos similares. Mas o fio não é contínuo, e a seda obtida é de qualidade inferior.
Os insetos são cosmopolitas, habitando todos os ecossistemas. A ciência que estuda os Insetos é a Entomologia.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Meu pampa querido - Parte II

  • Monocultivo: Um assassinato ao Pampa

As ameaças que circundam o Pampa são muitas, mas nenhuma delas, nos dias atuais, é tão preocupante como a expansão das plantações de árvores exóticas (eucalipto, pinus e acácia-negra) que vêm ocorrendo na região. Como poderemos afirmar que a substituição de uma vegetação campestre, rasa e de baixa estatura, por fileiras e fileiras de árvores de até 30 metros de altura, não acarretará em impactos severos ao ambiente pampeano?
Em 2001, o Rio Grande do Sul possuía uma área ocupada por monocultivos de eucalipto, pinus e acácia-negra de aproximadamente 400 mil hectares. Atualmente, as estimativas indicam que, nos próximos anos, mais um milhão de hectares de terras gaúchas, em sua maior parte formadas por campos, serão convertidas em um milhão de hectares de autênticos “desertos verdes”. Isto para possibilitar a instalação, até 2010, de pelo menos três grandes fábricas de celulose no território sul-riograndense.
Com a justificativa de “desenvolver” a economicamente retraída Metade Sul do estado, planeja-se a inauguração, em poucos anos, de três grandes fábricas de celulose nesta região: uma da Votorantim Celulose e Papel, outra da sueco-finlandesa Stora Enso e mais a ampliação da atual fábrica da Aracruz, mesmo existindo inúmeros alertas, por parte de ambientalistas e cientistas, sobre os impactos socio-ambientais negativos que as plantações de árvores podem acarretar ao Pampa.
As conseqüências da substituição da vegetação do Pampa serão sentidas a curto, médio e longo prazo, e entre elas podemos citar as principais:
1º - Sombreamento agressivo: relacionado ao grande porte das árvores que servem de matéria-prima para a produção de celulose, considerando que a maioria das plantas do bioma campestre são heliófitas (necessitam de abundante luminosidade), não sendo resistentes ao sombreamento.
2º - Potencial alelopático negativo: ao se levar em conta o forte potencial alelopático negativo, característico das espécies do gênero Eucalyptus, verifica-se que muitas espécies de plantas possuem seu desenvolvimento retardado e prejudicado pela simples presença de raízes ou folhas desta espécie no solo ao seu redor. Esta incompatibilidade natural existente entre plantas campestres e eucaliptos tende também a diminuir a rica biodiversidade do pampa.
3º - Invasão de ecossistemas: o pinus é considerado uma espécie invasora em potencial, capaz de ocupar o espaço de espécies nativas e produzir alterações nos processos ecológicos naturais.
4º - Efeitos sobre os recursos hídricos: aqui está uma das mais sérias conseqüências que as plantações de árvores em larga escala podem ocasionar. Inúmeros estudos científicos já atestaram o grande consumo de água que árvores como eucaliptos e pinus apresentam. No Pampa argentino, fronteiriço ao Pampa gaúcho, pesquisas recentes, indicaram que as extensas plantações de eucalipto desta região resultaram: na redução de 52% do fluxo da água dos rios, na seca de 13% dos rios, córregos e arroios e no aumento da acidez dos solos.
Não deve ser surpresa que o consumo de água de uma árvore gigante seja imensamente superior a de ervas campestres com alguns centímetros de altura, pois a evapotranspiração real (o consumo de água por árvores) é muito mais elevado que a do campo natural, presumidamente em todos os meses do ano, e não somente no verão. É justamente esta defasagem entre o consumo de água e as precipitações de várias regiões pampeanas que acarretaria na diminuição das águas dos lençóis freáticos, dos rios e arroios, afetando a água disponível para os demais plantios e para o abastecimento da população local. Além disto, este impacto pode afetar até mesmo o Aqüífero Guarani, cujo manancial de água se estende sob boa parte do território pampeano.
5º - Desaparecimento de espécies: como um efeito em cadeia, a menor disponibilidade de água nos rios, arroios e córregos tende a favorecer o desaparecimento de mais espécies de plantas e, estes dois fatores aliados conduzem à redução da população de animais e insetos. Ou seja, a introdução de monoculturas de árvores em ecossistemas campestres também acaba por alterar as cadeias alimentares existentes, ocasionando mudanças na adequação de habitat para as espécies animais nativas, que acabam tendo sua sobrevivência e reprodução colocadas em risco. Das 250 espécies de animais ameaçados de extinção no RS, pelo menos 26 delas estão diretamente relacionadas com a expansão das áreas com plantações de árvores sobre os campos. Animais como a águia chilena, o lobo guará, o veado campeiro, o gato palheiro e o cardeal amarelo, que habitam nossos campos há séculos, caminham rumo à sua extinção.
6º - Poluição ambiental: aqui se faz necessária uma pequena abordagem sobre os problemas geralmente relacionados ao funcionamento de grandes fábricas de celulose. No beneficiamento da celulose, há uma grande demanda por água, principalmente no processo de cozimento da madeira com soda cáustica, a fim de se separar a celulose da lignina. Após, é feito o processo de branqueamento da celulose, para a obtenção de uma polpa branqueada, que vai ser a matéria-prima de um papel branco e alvo.
Entretanto, é justamente no processo de branqueamento, que ocorre o uso do dióxido de cloro, o qual poderá vir a ser fonte de dioxinas encontradas nas águas residuais das fábricas. A dioxina, composto químico resultante de processos térmicos que envolvem produtos orgânicos (como a madeira) em presença de cloro, é conhecida como um dos mais potentes carcinogênicos existentes no mundo atual.
Finalizando, cabe ainda salientar que várias destas premissas se encontram presentes na abordagem agroecológica da agricultura, onde o enfoque central é a “aplicação dos princípios e conceitos da Ecologia no manejo e desenho de agroecossistemas sustentáveis”. Ao se trabalhar na criação de agroecossistemas sustentáveis, o que se busca na verdade é construir um sistema agrícola com características semelhantes às de ecossistemas naturais, mas mantendo uma satisfatória produção para ser colhida.
O desenvolvimento de uma agricultura sustentável, que gere produção, trabalho e renda ao agricultor, mas respeitando o equilíbrio dos ecossistemas e primando pela conservação dos recursos naturais, é a verdadeira possibilidade de melhorar o nível de vida das populações pampeanas, sem colocar em risco a existência do próprio Pampa.
Neste sentido, faz-se necessário construir um modelo de desenvolvimento onde, prioritariamente, seja respeitada a conformação tipicamente campestre deste ecossistema.

Meu pampa querido - Parte I

  • O Bioma Pampa – A riqueza do sul do Brasil
O nome pampa é de origem quechua (língua indígena da América do Sul, também falada no império Inca), e significa região plana.
O bioma Pampa é a única grande área natural restrita a um único estado brasileiro, o Rio Grande do Sul. O bioma avança para o Uruguai e a Argentina. É exclusivo do sul da América do Sul. O Pampa ocupa pouco mais de dois por cento do território nacional, de acordo com o Mapa de Biomas do Brasil, do IBGE. Além de campos, o Pampa inclui outros ecossistemas como os banhados: áreas alagadas, protegidas por lei porque são fundamentais para a reprodução da vida e para a regulagem dos ciclos da água e as matas ciliares ou de galeria, que acompanham o curso dos rios e servem de refúgio para a fauna. Os pampas também têm áreas de cavernas e grutas, como a Pedra do Segredo, em Caçapava do Sul, e sítios arqueológicos importantes como o da cidade de Mata, onde há exemplares de árvores petrificadas, de milhares de anos.
O Pampa está localizado entre 34º e 30º latitude sul e 57° e 63° latitude oeste. Atualmente, as terras pampeanas ocupam uma área de aproximadamente 700 mil Km², compartilhada pelo Brasil, Argentina e Uruguai. Dentro do território brasileiro, estas terras se distribuem pela metade sul do Rio Grande do Sul, abrangendo cerca de 176 mil Km² (ou seja, 17,6 milhões de hectares), o que equivale à cerca de 60% da área do estado. Entretanto, somente 39% de sua área total ainda é constituída por remanescentes de campos naturais. Entre os anos de 1970 e 2005, estima-se que 4,7 milhões de hectares de pastagens nativas foram convertidos em outros usos agrícolas, como lavouras e plantações de árvores exóticas.
Esta violenta supressão da vegetação campestre natural do Pampa gaúcho torna-se ambientalmente ainda mais grave diante da imensa riqueza da biodiversidade nela existente. Estimativas recentes indicam que esta região é composta de pelo menos 3.000 plantas vasculares, com 450 espécies de gramíneas e 150 de leguminosas, além de 385 aves e 90 mamíferos, sendo parte destas espécies chamadas endêmicas, pois só ocorrem neste ecossistema.
Os pampas têm vegetação predominantemente herbácea, de 10 a 50 cm de altura. A paisagem é homogênea e plana, assemelhando-se a um imenso tapete verde.
As florestas dos Campos Sulinos abrangem em sua maioria as florestas tropicais mesófilas, florestas subtropicais e os campos meridionais. As florestas subtropicais compreendem basicamente a Floresta com Araucária, distribuindo-se sobre os planaltos oriundos de derrames basálticos, e caracterizando-se principalmente pela presença marcante do pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia). Em direção ao arroio Chuí, na divisa com o Uruguai, estabelece-se um campo com formas arbustivas sobre afloramentos rochosos.
O Pampa é um dos ecossistemas mais ricos em relação à biodiversidade de espécies animais, contando com espécies endêmicas, raras, ameaçadas de extinção, espécies migratórias e de interesse econômico dos campos sulinos.
Um exemplo entre os animais ameaçados de extinção está o gato-dos-pampas (Felis colocolo) que mede aproximadamente 85 cm e possui hábitos noturnos. O habitat deste felino se estende desde o Sul da Patagônia, por quase toda a Argentina, Chile, Peru e Equador.
É por isto que os campos pampeanos, na sua composição de flora e fauna, podem ser considerados tão importantes quanto uma floresta tropical, para a conservação da biodiversidade planetária.

domingo, 27 de abril de 2008

Nossos parentes bem próximos

  • Primatas em perigo!


Os primatas (ordem que inclui o homem) é caracterizada por animais com olhos frontais e braços, pernas e dedos altamente flexíveis. Essa estrutura corporal se desenvolveu como uma adaptação para a vida nas árvores: os primatas têm membros flexíveis e mãos fortes para que consigam se mover de um galho para o outro. Os olhos frontais também são uma adaptação para a vida nesse ambiente: eles proporcionam uma excelente percepção de profundidade aos primatas, permitindo que calculem com precisão a distância entre as árvores.
Existem 235 espécies de primatas e todas apresentam características especiais que os diferem dos outros mamíferos, entre as principais delas estão: Mais confiança na visão do que no cheiro; visão binocular; membros do corpo e mãos adaptados para pendurar-se, saltar e balançar nos ramos; habilidade para manipular objetos pequenos usando dedos com unhas em lugar de garras; cérebros grandes em relação ao tamanho corporal e uma vida social complexa.
As 235 espécies de primatas modernos estão divididas em duas subordens: prossímios e antropóides. Os prossímios são classificados em 6 famílias: Lemuridae, Indriidae, Megaladapidae, Lorisidae, Tarsiidae e Daubentoniidae; ao todo aproximadamente 60 espécies, caracterizadas como sendo o grupo mais primitivo entre os primatas. Eles apresentam menos inteligência e se parecem mais com outros grupos de mamíferos (geralmente têm bigodes e focinhos alongados). Os prossímios se separaram da linha evolutiva dos humanos relativamente cedo. Os Prossímios dominaram as florestas ao norte da América, Ásia e Europa durante o período Eoceno. Seu reinado inabalável terminou aproximadamente há 30 milhões de anos e eles só são encontrados no “Velho Mundo”. Esses primatas primitivos são de tamanho pequeno e médio e possuem pelos longos, focinho pontudo, olfato e audição bem desenvolvidos. Muitos prossímios possuem quatro mamilos pequenos e produzem grandes ninhadas e não apenas um filhote, como é o caso dos primatas superiores. Eles são totalmente noturnos, exceto os lêmures malgaxe. Os lêmures evoluíram na ilha de Madagascar, longe dos outros primatas. Já os lorisídeos, tiveram que competir com outros primatas maiores e mais inteligentes da Ásia e África, por isso eles se alimentam à noite, durante o periodo de inatividade dos outros primatas de hábitos diurnos.
Os antropóides, geralmente chamados de "primatas superiores" (higher primates), compreendem o restante das espécies da ordem, variando muito em relação ao tamanho, extensão geográfica e comportamento, mas todos possuem faces achatadas, ouvidos pequenos e cérebros relativamente grandes e complexos.
Dentro da subordem dos antropóides, os primatas são agrupados em macacos, símios e humanos. Os macacos podem ser facilmente identificados, pois são os únicos antropóides que possuem rabo. Os macacos são muito mais parecidos com outros mamíferos do que os símios ou humanos, um exemplo disso é sua estrutura óssea, bastante semelhante à de gatos, cães ou outros animais de quatro patas, diferindo bastante da estrutura óssea dos demais. Na linha evolutiva dos humanos, os macacos se separaram muito antes dos símios.
Os macacos do “Novo Mundo” (sagüis, tamarins, macacos-prego, macacos-de-cheiro, macacos-da-noite, monos-carvoeiro, etc) tendem a ser pequenos, residem exclusivamente nas árvores e são encontrados somente na América Central e América do Sul. Os macacos do “Velho Mundo” (macacas, babuínos, lângures, etc) podem ser subdivididos em Cercopitecóideos (macacos com bolsas nas bochechas), que são, em sua maioria africanos e Colobines (macacos comedores de folhas), que são principalmente os asiáticos. Ambas estas famílias, junto com os símios e os humanos, são conhecidas como catarrinos pois têm o septo nasal estreito e as narinas voltadas para baixo.

Os símios, grupo que inclui gorilas, chimpanzés, orangotangos e gibões, são muito parecidos com o homem, pois apresentam uma mesma estrutura corporal básica e um grande nível de inteligência. Temos como exemplo disso a semelhança entre os chimpanzés e humanos, que compartilham de 98% de seus materiais genéticos. Em contraponto, uma diferença que se estabeleceu entre esses dois grupos durante a caminhada evolutiva é que os símios utilizam-se dos quatro membros para caminhar enquanto os humanos caminham eretos, ou seja, apoiam-se nos membros posteriores, sendo assim considerados bípedes.
Dois, dos quatro tipos de símios - o orangotango e o gibão - vivem na Ásia. Os outros dois - o chimpanzé e o gorila - vivem na África.
Todas as 235 espécies de primatas estão listadas na Convenção sobre o comércio Internacional das espécies da fauna e da flora selvagem ameaçadas de extinção, com exceção dos humanos. Um terço de todos os nossos parentes primatas está em perigo de extinção; conseqüência das ações de outro da mesma espécie.
Provavelmente, o antigo instinto do homem era matar os outros primatas para comer a carne. Nas florestas tropicais brasileiras, os primatas como os monos-carvoeiro são assassinados e utilizados como alimento. Na África, os macacos e símios são mortos e vendidos em mercados.
Perseguidos no passado por atiradores que procuravam troféus de caça, os primatas são mortos hoje para satisfazer a demanda dos turistas por comprar lembranças de viagem. Peles atrativas de macacos e mãos de gorilas transformadas em cinzeiros são lembranças bem populares.
Primatas vivos são tirados da vida selvagem para satisfazer o comércio de animais de estimação ou fornecer animais para pesquisas científicas e farmacêuticas. Os bebês são capturados, depois das mães serem assassinadas, e são vendidos como animais de estimação ou para zoológicos e laboratórios de pesquisa.
No entanto, a destruição do seu hábitat seria a razão principal para o declínio das populações de primatas. Quase todos os macacos e símios são encontrados nos trópicos, a maioria em florestas tropicais ou florestas decíduas tropicais. Estima-se que a derrubada das árvores e o desmatamento para a agricultura destroem, a cada minuto, mais de 50 hectares desse hábitat. Um exemplo disso é o caso do macaco-prego. Esta espécie habita a região tropical da América e chegou a ser considerado completamente extinto, porém, foram encontrados alguns exemplares da espécie na mata Atlântica, no ano de 2006. Recentemente, descobriu-se o primeiro macaco-prego nascido em cativeiro - batizada de Maria - teve sua mãe encontrada em cativeiro ilegal.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Bioresponsabilidade

  • Mata Atlântica: O bioma ameaçado
Anteriormente, a mata Atlântica cobria um imenso teritório, com aproximadamente 1,3 milhão de Km², percorrendo o litoral brasileiro desde o Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Tratava-se da segunda maior floresta tropical úmida do Brasil, só comparável à Floresta Amazônica.
Atualmente, da segunda maior floresta brasileira restam apenas uma área com aproximadamente cerca de 52.000 Km² (5 % de sua extensão original). Hoje a maioria da área litorânea que era coberta pela mata Atlântica é ocupada por grandes cidades, pastos e agricultura. Porém, ainda restam "manchas" da floresta na Serra do Mar e na Serra da Mantiqueira, no sudeste brasileiro.
Esse tipo de formação florestal recebe várias denominações como: floresta latifoliada tropical úmida de encosta, mata pluvial tropical e mata atlântica (denominação mais geral).
A mata Atlântica compreende a região costeira do Brasil, apresentando ao norte clima equatorial e ao sul clima temperado, com temperaturas elevadas durante o ano todo. Tem como característica um alto índice de pluviosidade, devido à barreira que a serra constitui para os ventos que sopram do mar. Seu solo é pobre e a topografia é bastante acidentada. Em seu interior predomina uma luminosidade bastante reduzida, decorrente da densidade da vegetação. As árvores são predominantemente altas (20 a 30 metros de altura) e são em sua maioria perenifólias (as folhas não caem durante o inverno). Devido a densidade da vegetação arbórea, o sub-bosque é escuro, mal ventilado e úmido. Próximo ao solo existe pouca vegetação, em decorrência da escassa quantidade de luz que consegue penetrar em seu interior.
Os solos da mata Atlântica se apresentam pobres em minerais e sua natureza é granítica ou gnáissica. A maior parte dos minerais está contida nas plantas ao invés de estar no solo. Como há muita serrapilheira que origina abundante húmus, existem microorganimos de vários grupos os quais decompõem a matéria orgânica que se incorpora ao solo. Esses minerais uma vez liberados pela decomposição de folhas e outros detritos, são prontamente reabsorvidos pelo grande número de raízes existentes, retornando ao solo quando as plantas ou suas partes (ramos, folhas, flores, frutos e sementes) caem. Fecha-se, assim, o ciclo planta-solo, que explica a manutenção de florestas exuberantes em solos nem sempre férteis.
No entanto, o desmatamento leva a um rápido empobrecimento dos solos, já que as águas da chuva carregam os minerais para o lençol subterrâneo (lixiviação). Por esse motivo os solos da mata Atlântica não são favoráveis à agricultura, a menos que sejam enriquecidos anteriormente.
Estima-se que na mata Atlântica existam 10 mil espécies de plantas que contêm uma infinidade de espécies de cores, formas e odores diferentes. Nela encontra-se jabuticabas, cambuás, ingás, guabirobas, jatobás e bacuparis. Plantas como orquídeas, bromélias, samambaias, palmeiras, pau-brasil, jacarandá-da-bahia, cabreúva, ipês, palmito, entre muitas outras, assemelhando-se fisionomicamente e em composição florística à floresta Amazônica, pois são igualmente densas, com árvores altas em setores mais baixos do relevo, apesar de as árvores amazônicas apresentarem em média um maior desenvolvimento. Os troncos são recobertos por uma grande diversidade de epífitas que é um aspecto típico dessas florestas. A existência de grupos semelhantes de espécies entre a Amazônia e a mata Atlântica sugere que essas florestas se comunicaram em alguma fase da história.
Um dos maiores motivos para preservar o que restou da mata Atlântica é a rica biodiversidade, ou seja, a grande variedade de animais e plantas. Calcula-se que nela existam dez mil espécies de plantas, sendo 76 palmeiras; 131 espécies de mamíferos, entre estes 21 espécies de primatas, 23 de marsupiais 57 de roedores; 214 espécies de aves, entre estas destaca-se a araponga, conhecida como “a voz da mata Atlântica” e gravemente ameaçada de extinção; 183 de anfíbios e 143 de répteis. Dentre estes animais estão vários morcegos destacando-se uma espécie branca. Dos símios destacam-se o muriqui, que é a maior e mais corpulenta forma de macaco tropical, e o sauí-preto que é o mais raro dos símios brasileiros. Habitam também a mata diferentes sagüis, os sauás, os macacos-prego e o guariba que está se extinguindo. Dos canídios, o cachorro-do-mato é um dos predadores mais comuns, juntamente com o guaxinim, o coati, o jupurá, os furões, a irara, o cangambá, e felinos, como gatos-do-mato que se alimentam de animais como o tapiti, diferentes ratos-do-mato, caxinguelês, cotias, outiço-cacheiro, o raro ouriço-preto, etc.
Ocorrem também na mata tamanduás-mirins, preguiças, e tatus, com destaque a preguiça-de-coleira que hoje em dia está tão escassa e já ameaçada de desaparecimento.
O mico-leão-dourado é uma das espécies mais ameaçadas do mundo. Ele só é encontrado em uma pequena área de mata Atlântica que corresponde ao estado do Rio de Janeiro.
Devido a grande devastação dessa mata quase 200 espécies estão ameaçadas de extinção, fora aquelas que já se extinguiram. Estima-se que metade das espécies vivas hoje poderão estar extintas até o final do século caso não sejam tomadas medidas para controlar o desmatamento e as queimadas, que são as principais formas de destruição deste importantíssimo bioma brasileiro.


A mata Atlântica é considerada atualmente um dos mais importantes conjuntos de ecossistemas do planeta, e um dos mais ameaçados. As pouquíssimas ilhas de floresta que restam não podem desaparecer.
A destruição do solo e a retirada da floresta rompe com o sistema natural de ciclagem de nutrientes. A remoção da cobertura vegetal fará com que a superfície do solo seja mais aquecida. Esse aquecimento aumentará as oxidações da matéria orgânica que se transformará rapidamente em materiais inorgânicos, solúveis ou facilmente solubilizados. O solos deixam também de ser protegidos da erosão pelas chuvas.
No que refere-se às mudanças climáticas, as florestas são responsáveis por 56 % da umidade local. Sua destruição elimina essa fonte injetora de vapor de água na atmosfera, responsável pelas condições climáticas regionais ao mesmo tempo que diminui o poder de captura do CO² atmosférico. Além disso, as monoculturas implantadas em área de mata são mais sensíveis a pragas e doenças. O ecossistema sob estresse tem tolerância menor ao ataque de parasitas e conseqüentemente têm sido introduzidos nessas áreas grande quantidade de inseticidas e agrotóxicos para combater as pragas, o que contamina os ecossistemas aquáticos pondo fim a um enorme contigente de espécies.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Eles têm seu valor

  • Os tão incompreendidos morcegos

Há muitos mitos envolvendo esses animais, que geralmente são considerados estranhos, macabros e geralmente estão associados à histórias de terror, à vampiros sugadores de sangue, mas isto não é um fato verídico. Esses mitos povoam a mente dos menos esclarecidos, porque, na realidade, os morcegos são muito úteis para a manutenção e o equilíbrio dos ecossistemas, pois a maioria das espécies alimentam-se de néctar de flores, frutos ou pequenos animais, sendo assim, atuam no ambiente como polinizadores de muitas espécies vegetais, possibilitam a disseminação de sementes e ainda são responsáveis pelo controle de populações de animais, como insetos, roedores, e até mesmo peixes. Há poucas espécies de morcegos hematófagos (aqueles que se alimentam de sangue) e ao contrário do que costuma ser dito, eles não sugam o sangue das “vítimas” utilizando seus caninos afiados, mas sim usam os dentes incisivos para fazer um corte (parecido com uma raspagem) na pele do animal e usam a língua dobrada, em forma de tubo, para sugar o sangue de suas presas. Os morcegos hematófagos ainda são importantes na medicina, pois, sua saliva possui propriedades anti-coagulantes e pode ser utilizada no tratamento de doenças cardiovasculares.
Os morcegos são os únicos mamíferos voadores, e pertencem à ordem Chiroptera (do latim: mão transformada em asa). Costumam habitar todas as regiões do planeta, com exceção das regiões polares. Exitem cerca de 1.000 espécies descritas, representando ¼ de toda a fauna de mamíferos do mundo. No Brasil são encontradas cerca de 140 espécies. Algumas espécies (africanas e asiáticas) chegam a atingir 2 metros de envergadura, enquanto outras até 10 cm.
Outra cuiriosidade sobre esses animais é que, ao contrário do que muitos acreditam, eles possuem uma boa visão, porém, como costumam ter hábitos noturnos, utilizam-se de um eficiente mecanismo que os possibilita reconhecer objetos à distância. Esse mecanismo é chamado de ecolocação e funciona como um “sonar”. Ao emitirem gritos de altíssima freqüência, inaudíveis pelo homem, esses impulsos de ultra-som, ao atingirem um objeto, são refletidos em forma de ecos e captados pelos ouvidos. Com esse sonar, os morcegos conseguem identificar, quando em vôo, a natureza do ambiente que os circunda, a forma e as dimensões de objetos.
Nos últimos anos, tem sido observada uma crescente população de morcegos que habitam centros urbanos. Em alguns casos, fugindo ao controle e transformando-se em verdadeiras pragas, instalando-se em porões, sótãos, vãos de dilatação de prédios, elevadores, etc. Isto está relacionado com a destruição de seus habitats naturais, devido à urbanização, desmatamento, queimadas e outras tantas atividades humanas que tanto têm interferido no equilibrio ambiental.


Para finalizar, segue abaixo algumas dicas de observação destes animais (Fonte: EMBRAPA):
A observação de morcegos urbanos é uma atividade prazerosa às pessoas que realmente respeitam e preservam a natureza. Porém requer muita paciência e habilidade por parte do observador. O tempo também é um fator muito importante, pois em noites chuvosas as atividades noturnas dos morcegos são bastante reduzidas.
Considerando que existem basicamente no meio urbano 3 categorias de morcegos e estão divididos de acordo com seus hábitos alimentares: insetívoros (comedores de insetos), polinívoros ou nectarívoros (alimentam-se de pólen e néctar) e os frugívoros (comedores de frutas).

  • Morcegos insetívoros:
Podem ser observados, voando alto ao céu aberto pouco antes do anoitecer, podendo ser confundidos com passarinhos, mas a distinção é através de sua morfologia, seu comportamento de vôo e seus sons. São pequenos como os passarinhos, porem podem possuir um uropatágio (membrana localizada entre seus membros posteriores) em forma triangular. Os vôos são característicos, pois batem as asas rapidamente e fazem manobras bruscas repentinas. As manifestações sonoras são gritos agudos e não assobios. Neste momento de vôo os morcegos estarão capturando insetos voadores. É possível também durante a noite observá-los sobrevoando próximos aos postes da rede de iluminação, pois estes atraem insetos que são a base de sua alimentação.
  • Morcegos polinívoros ou nectarívoros:

Os morcegos polinívoros ou nectarívoros são observados sobrevoando durante à noite as plantas que possuem flores. Estes morcegos dão preferência às flores de cores esbranquiçadas, de odor forte, com alta produção de néctar e que se abrem à noite. Estes são pequenos e podem apresentar vôos característicos, os quais são parecidos com os dos beija-flores (pairando no ar).

  • Morcegos Frugívoros:

Os morcegos frugívoros são os mais evidentes à noite, pois são relativamente grandes. Estes podem ser observados sobrevoando as árvores frutíferas à procura de alimento, dando preferência aos frutos maduros e com uma casca não muito dura. Estes morcegos freqüentam constantemente árvores conhecidas como "Chapéu de Praia", pois estas produzem um fruto consideravelmente carnoso e apetitoso. Os morcegos frugívoros também podem ser observados em corredores de vôo, ou seja, locais onde eles sempre costumam passar e em poleiros de alimentação, estes últimos são geralmente árvores próximas das árvores frutíferas utilizadas pelos morcegos. Os poleiros de alimentação são caracterizados por apresentarem restos de frutos em sua base (no chão). Os morcegos deslocam os frutos das árvores frutíferas até estes locais, onde serão devorados e posteriormente descartados (as partes não comestíveis).